Porque o termo “Odalisca” é ofensivo

E aí pessoal. EU ERREI.

Isso, em letras garrafais, errei rude, errei feio e espero consertar um pouco as coisas com essa postagem.

Na noite do dia 20 de julho recebi um email da Karoline, dançarina do ventre, que elogiou muito essas artes.

Mas ela me chamou atenção para um erro meu. Usei o termo Odalisca e esse termo é pejorativo, segue a explicação dela.

“Harém significa proibido, pois é uma área exclusiva para as mulheres e crianças (e lá eles tem restrições dentro de casa, determinado lugar é para homem e outro para mulher). Temos diversos tipos de harém e no harém uma odalisca era classificada na parte mais inferior da estratificação social do harém.

E a dança não pertencia somente as odaliscas (essas por ser inferior, vulgarizam o bagulho, misturando sexo, nudez com a dança).

Então, dá uma treta maligna chamar uma dançarina de odalisca. Lê ai que você entende melhor: http://www.danicamargo.com/danca-do-ventre/historico/harem

Que a força esteja contigo!”

Eu pedi desculpas a ela, peço desculpas a todas as dançarinas e peço desculpas ao público por toda essa bagunça que criei aqui.
Sei que não se muda todo um contexto da noite pro dia, mas de agora em diante vou ficar mais esperto e tentar usar termos que eu domino nas postagens.

Uma coisa importante também é não julgar as Odaliscas.

Obrigado Karoline, você poderia me atirar pedras, fazer textão no facebook, mas você foi de uma empatia ímpar. Obrigado, mesmo, pela paciência e didática.

E que a força esteja conosco =)

Diário de Leitura: 50 tons de cinza – parte 7

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Diário de leitura: 50 tons de cinza

Dia 7

Capítulo 9

Eles dormem na mesma cama e o clima pós-coito-adeus-hímen é total. Ela acorda antes e descreve como Grey é lindo e doce e tudo mais. Ela levanta caçando o banheiro, se perde num closet até que enfim encontra o bendito, rola um papo com seu inconsciente em frente ao espelho.

Esse último parágrafo é coisa que preciso fazer sempre. Ela deixa claro que ele é lindo, deixa mais claro ainda que é rico e deixa claro que é uma moça normal. Apesar do inconsciente dela ser quase um personagem não chega a quebrar essa trinca manjada da receita da escritora.

Não farei mais esses parágrafo daqui pra frente. E juro que se agora a Ana descrever alguma gentileza, simpatia, brincadeira do Grey como algo raro ou surpreendente eu começo a cortar também.

Enfim, voltemos.

Ela vai pra cozinha fazer panquecas, deixa Grey dormindo. Liga uma música alta no fone de ouvido e fica dançando enquanto cozinha.

Lógico que ele vai aparecer. Um porno masculino-hétero cria situações mais convincentes.

Enfim, ela se vira num passo doble e dá de cara com Grey assistindo seu show de dança, se divertindo e tal. Ele se põe a ajudar.

Ela leva um susto safado, fica surpresa pelo bom humor dele e ainda mais por ele estar ajudando com o café. Última vez que descrevo isso.

Agora eles vão para um banho de banheira. Descrições exageradas sobre como tudo é chique e caro, blá-blá-blá. Ele “lava” as partes íntimas dela, mas não até ela chegar lá. Então ele ordena que ela se vire e “lave” a parte íntima dele.

E ela deixa limpinho, tanto que põe na boca depois… Ah, e ele chega até o fim. A Ana é tonta mesmo.

Mas Grey tá ligado que tá devendo, leva Ana pra cama, amarra suas mãos e começa a lhe explorar com beijos e Tals… O corpo todo…

Um oral detalhado e mais um papai-mamãe básico, dois orgasmos pra ela.

Nesse momento chega uma mulher na casa dele e quer entrar no quarto. Eles conseguem ouvir a discussão com um empregado do lado de fora. É a senhora Grey, futura sogra de Ana.

E acaba o capítulo nove. Percebo aqui que se trata de um conto de fadas. Pra um homem acabaria agora, no fim da primeira noite de sexo. Pra Ana não, ela ainda quer um relacionamento estável e dar palpites na decoração da casa do Chris.

Pior capítulo até aqui.

Diário de Leitura: 50 tons de cinza – parte 6

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Diário de leitura: 50 tons de cinza

Dia 6

Capítulo 8

Grey tá putinho porque a Ana não contou pra ele que era virgem e ela se sente culpada um pouco, mas é meio óbvio que virgindade não é um assunto tão bom assim pra quebrar o gelo num flerte.

Nesse ponto ela tá achando o homem da vida dela e ele tá querendo “fechar negócio”… Essa virgindade é um problema.

Palavras dele.

Aí que caras e bocas de cá, suspiros e falsa afetação de lá e resolvem fazer amor, isso, sem força e sem palavrão, fora do acordo e tal, só pra ela debutar nos anais da vida.

Vão pro quarto e a Ana desata a falar das janelas, da cortina, do brilho do piso… Não aguento essa menina.

Agora vai começar o lesco-lesco e é engraçado como a autora descreve as sensações e reações: Tipo, piriquita piscando fica “a musculatura da minha parte mais íntima e escondida se comprime da maneira mais deliciosa”.

Fora todos os “languidamente” e “timidamente” e tal.

Resumindo, ele ajoelhou, apertou languidamente a bunda da Ana e timidamente inseriu a língua na cheirosa vértice entre as pernas de nossa protagonista casta.

Estou sendo influenciado pelo jeito de escrever da autora, eu acho.

Seios intumescidos, mordiscadas e um orgasmo dela. Dedinho ligeiro, uma conferida no campinho e bora botar a camisinha.

Pausa para o alívio cômico: quando ele tira a cueca e pega a camisinha, a Ana se assusta com o tamanho da sua “extensão avantajada” e ele a tranquiliza lembrando-a que ela também dilata.

Voltemos que tem uma virgindade se despedindo aqui, gente.

É um papai-e-mamãe bem básico, ele vai devagarinho, até porque a garagem é nova e tal, e os dois gozam em segundos.

Coelhos.

Segundo round, porque Christian Grey não teria a fama que tem com uma performance tão conservadora.

Ele fala que vai pegar ela por trás, dedinhos ligeiros, oral dela no dedão dele… Mais uma bimbada cheia de possessão da parte dele e euforia da parte dela. Gozam e ela apaga, dorme, sei lá.

Todo homem entende ela.

Quando Ana acorda Grey não está na cama com ela e sim na sala tocando uma serenata pós-coito no piano.

Música triste, Grey pianista triste, não gosta que toquem em seu tórax com pêlos dourados e evita o assunto.

Dormem de conchinha.

Que casal fofo.

Diário de Leitura: 50 tons de cinza – parte 5

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Diário de leitura: 50 tons de cinza

Dia 5

Capítulo 7

Ana conhece o quarto de jogos e descreve… Cada… Detalhe… De… Cada… Utensílio sado-medieval.

Na boa, nada de mais no quarto. O cara ter um quarto exclusivamente pra transar é o mais excêntrico nisso tudo.

Bem, fica claro que o galã quer é ter sexo selvagem consensual e assinando contratos e tal. Na minha opinião tira toda a graça da coisa, mas cada um com seu fetiche, quem sou eu pra julgar?

O fetiche em si ele já realiza (com outras mulheres), a grande jornada dele nessa parte da história é convencer a Ana a realizar o fetiche dele. E o fetiche dele é praticamente que ela queira fazer o que ele quiser.

Isso aí. Não faz sentido nenhum, mesmo.

Já nossa protagonista tá no cio declarado e já sabe que vai assinar tudo o mais rápido possível pra finalmente botar a pichirica pra sambar. Ela tá apaixonada pelo cara desde a primeira vez que o viu e nem a falta de educação, arrogância e sadismo farão ela mudar de ideia. Inclusive ela cita essas características nele como qualidades.

Ahh, ela tb disse que o quarto vermelho da tortura sádica medieval tem um ar romântico.

Eu não culpo ela, eu culpo os hormônios.

Antes de assinar o contrato e por o time em campo, Grey mostra a papelada das regras da relação pra Ana.

Primeiro trata ela como submissa e ele como dominador.

— Eu acho cafona e brochante, mas fetiche é igual cu e eu não tenho nada a ver com o dos outros. —

Itens das regras: Obediência, sono, alimentação, roupas, exercícios, higiene, segurança e fidelidade.

Tipo, você fala isso e no fim surge o Capitão Planeta vestido de couro preto e bigode.

“O prazer é de vocês”

Ele também mostra os limites dele: resumindo, nada que possa matar, ferir gravemente, sujar ou envolvê-lo num delito.

Uhhh. O modernão é medroso. Frangote.

E pra acabar mais um capítulo clichê dessa fineza de livro. Ana é virgem.

Ana… É… Virgem…

PS. pensei seriamente em parar de ler esse livro agora, mas vamos lá na fé. Que o Capitão planeta do chicote de couro me ajude.

Diário de Leitura: 50 tons de cinza – parte 4

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Diário de leitura: 50 tons de cinza

Dia 4

Capítulo 6

Ana começa descrevendo o carro do Christian “dinheiro-não-é-problema” Grey.

Tá rolando um climão depois do beijo no elevador, mas reparei que ela dá muitos detalhes em tudo que descreve, o carro, a amiga, a sala, o ossinho da cintura do Grey-calça-caindo, mas dela mesmo não tem detalhes.

Sabemos que ela odeia o cabelo e tem olhos grandes… E cai de quatro, literalmente, com certa frequência. Deve ser isso que atraiu o Grey, né?

Eles vão para Seattle de helicóptero… É, eu avisei que ele tem muita grana. Ana descreve até o tipo de cinto de segurança do bicho e cita, entre uma característica técnica e outra, que tá doida pra aterrissar entre os ossinhos da cintura do Grey.

Ela transcreve a conversa do Grey piloto pedindo autorização para decolar também… Tudo isso de detalhe e a gente nem sabe nada dela.

Aliás, fora o cara ser bonito e rico não vejo nada muito atraente nele. Um cara ríspido, impessoal, arrogante e controlador. Esse lance de exigir um contrato para haver lesco-lesco é absurdo, mas é capaz de, na cabecinha superficial da Ana, isso ser uma prova de afeto do Príncipe enigmático com ossinhos salientes irresistíveis.

Tipo, ele é atencioso, educado e sabe como tratar bem uma mulher. Mas é como um cara que curte vinho: ele vai usar as melhores palavras para elogiar, conhecer técnicas para manter o sabor, ter as melhores ocasiões para consumir e tal… Mas no fim ele quer mesmo é enfiar o saca-rolha nela.

Chegam no abatedouro que o Grey chama de casa. Ela descreve tudo, a cor do chão, tamanho dos móveis, quantos quadros em cada parede… Ana, tú é uma chata prolixa, mesmo.

Nessa hora ela já assinou o termo de confidencialidade e já está beliscando azulejo de vontade de fazer amor com Grey.

Mas aí ele revela que não faz amor, que fode… Com força.

Isso, com reticências e tudo.

Ana quase ejacula pelo ouvido, não imaginava ela ficando ainda mais excitada.

Ele revela o tal quarto de brinquedinhos e ela, ao ver, cita Inquisição espanhola para descrever. E para minha sorte, ela foi bem resumida, acho que no próximo capítulo teremos um seminário sobre instrumentos de sex-shop do século XVI.

Ps. Ana não levou tombo nesse capítulo.

?#?jesuisgrey? ?#?fiftyshades?

Diário de Leitura: 50 tons de cinza – parte 3

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Diário de leitura: 50 tons de cinza

Dia 3

Terminei de ler o quarto e quinto capítulos.

Saindo do café, logo após o incidente tombo/ciclista-atropelador os dois se entrelaçam e rola a tensão sexual mas ele refuga. Dá um pé na Ana e diz que não é homem pra ela.

Sabendo o que sabemos pode-se dizer que essa parte é tipo Crepúsculo e tal.

Depois do fora Ana volta aos estudos e no dia de comemorar o fim das provas recebe um presente de Grey, um pacote na porta da casa dela, citações de livro sobre perda de virgindade e tal.

Tava ficando chato, mas aí ela começa a beber. Inclusive preciso falar mais da Kate e do inconsciente da Ana, personagens legais do livro.

Ana bebe tequila, marguerita, champanhe e cerveja… e nenhum tombo, acredita?

Ela faz pior.

Liga pro Grey.

Faço coro com o inconsciente da Ana: ela é muito burra.

Ele saca que ela tá beuda e vem pro bar buscar sua dama, ela vomita tudo, ele cuida dela, ele manda nela, ele dança com ela… Ela desmaia de bêbada… Eis nosso tombo.

Ela acorda, sozinha, na cama dele e fica toda “oh, será que eu dei?” Não deu, mas tá doidinha pra dar. Ele volta da malhação e eles têm um papo cabeça sobre necrofilia, disciplina e pela primeira vez ele se mostra sádico e cita que há mulheres “dele”.

Ana tá com a piriquita fumegando agora e até seu inconsciente se desmancha em desejo.

Isso tudo com umas analogias sobre ele ser um príncipe e tal.

É, pois é, essa Ana é uma Bridget Jones com menos vitaminas.

Eles conversam enquanto tomam café, rola uma DR básica e ele meio que explica pq dispensou ela daquela vez, ela é romântica, sentimental e com expectativas altas enquanto ele é muleque-piranha-passa-o-rodo-memo. Mas ele tem ética e tal então quis poupar a Ana-princesa-Disney.

Grey, eu te entendo, cara.

E nem te conto que ela acha que você é um príncipe, mesmo.

Eles combinam de fechar um contrato e tal. Ele vai mostrar os brinquedinhos pra ela e, se ela aceitar, o pau vai torar.

Na saída os dois se pegam no elevador pela primeira vez. A descrição do beijo foi muito ruim e deu vergonha pq ela citou a ereção dele, que nível.

Falando em coisa grande, desculpem se me extendi hoje, mas aconteceu muita coisa, mesmo.

?#?fiftyshades? ?#?jesuisgrey?

Diário de Leitura: 50 tons de cinza – parte 2

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Diário de leitura: 50 tons de cinza

Dia 2

Terminei de ler o terceiro capítulo.

Teve uma sessão de fotos com o cara e ele convidou a Ana para um café. Ela que nem bebe café, topa.

E assim, o cara é enigmático, não se relaciona com ninguém, supercontrolador e eles vão para o Café de MÃOS DADAS. Nada de mais num primeiro encontro, papinho furado, se conhecendo melhor, avaliações e blá-blá-blá. Na volta ela toma seu segundo tombo na história, ele ajuda, eles se abraçam e ela reconhece que tá querendo o cara mesmo.

Ah, detalhe que ela pergunta se ele tem namorada, ele diz que “Não, não estou interessado em namoro”, enquanto os dois caminham pela rua de mãos dadas.

Melhor livro da minha vida.

?#?fiftyshades? ?#?jesuisgrey?

Diário de leitura: 50 tons de cinza

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Diário de leitura: 50 tons de cinza

Terminei de ler o segundo capítulo.

Pelo tanto que a Ana protagonista enrubesce seria melhor chamar de 50 tons de rubro.

Ninguém tirou a roupa ainda, mas a história tá fluindo rápido até.

Gostaria que o Leonardo Maciel também estivesse lendo pra ter com quem comentar esse enorme clichê de 400 e tantas páginas.

Aliás o estilo de escrita é bem divertido, lembra muito a Marian Keyes e a Elaine minha prima… Pelo menos enquanto ninguém tira a roupa.

?#?fiftyshades? ?#?jesuisgrey?

Zíper e O pior dia da semana

Um texto de 14 de abril de 2006…

O relógio dizia que já era noite, mas o sol teimava em ir embora. Quando Zíper ouviu aqueles passos não conseguia acreditar.

– Opa – Disse ele erguendo as orelhas – Será que estou ouvindo bem? Não é possível, ainda está claro. Se bem que o caminhão que come nosso lixo também já passou.

E os passos agora pareciam mais próximos.

– É ele mesmo! E está trazendo… SACOLAS. – E saiu correndo para o portão com a língua de fora. – PAPAI!

Túlio já tinha se acostumado com o alvoroço que Zíper fazia todos os dias, desde filhote foi assim, alegre e bagunceiro.

– E aí Papai, o que tem nessas sacolas? – “Dizia” Zíper enquanto enfiava o focinho nelas. – O cheiro é bom.
– Sai daí, Zíper. – Túlio tentava erguer as sacolas. – Isso não é para você.

Mas Zíper era mais teimoso que uma mula empacada, curioso como um gato. E a alegria de rever o dono era tanta que ele não parava de pular.

– Ei! Eu sei o que é isso. Vermelhinha, cheirosa, suculenta, separada em gomos… é linguiça! Eu tenho certeza que foi um cachorro que inventou essa maravilha gastronômica! – Disse Zíper com o rabo abanando – Me arruma uma aí, vai. Só uma.
– Zíper! Sai, você está me sujando todo.
– Ah, deixa eu contar. A Mamãe me deu uma vassourada hoje, só porque eu entrei na cozinha.
– Vai deitar, vai. Depois a gente brinca.
– Diz para a Mamãe que eu sou legal, ela não gosta de mim, só da Lisa.
– Eu vou te dar umas chineladas, cachorro teimoso.
– Tudo bem, parei, mas… E essa linguiça aí? Tem jeito? Ração todo dia enjoa.

Mas Túlio entrou e fechou a porta. Zíper murchou as orelhas e ainda conseguiu ouvir a Mamãe dizendo algo como “Cachorro fedido, imundo” e o Papai respondendo “Amanhã, se fizer sol, eu dou um banho nele”.

Zíper reergueu as orelhas e arregalou os olhos, involuntariamente tremia cada pelo.

As suas pulgas gritavam: TERREMOTO.

Ele sabia muito bem o que significava aquela palavra, banho é sinônimo de tortura, banho é sinônimo de sofrimento, dor e frio.
Fora o cheiro de sabonete que só sai depois de umas três roladas na terra.

Mas alguma coisa não fazia sentido. Zíper só tomava banho aos sábados, o Papai não tinha ido trabalhar ontem, e hoje sim, então amanhã é terça-feira. Ou será que ele está de férias, igual o Bebê? Ou será que eu errei a minha conta e amanhã é sábado?

– Será que eu dormi demais no domingo e só acordei na sexta-feira?
– Sábado… Dia de Churrasco… Segunda… Terça… Ou seria Sábado de novo… Ai, me perdi.

Aquela noite foi longa demais para Zíper.

Assim que o dia nasceu Zíper viu Lisa sair pela cozinha. Venceu seu orgulho e foi falar com a gata da casa.

– Ouf. – Chamou enquanto latia.
– Que éééé? – Respondeu a gata toda ofendida.
– O Papai está se arrumando para ir trabalhar?
– Nhãão. – Disse ela enquanto miava e bocejava.
– Mas hoje não é terça-feira?
– Não, hoje é sábado, eu já te ensinei isso.
– Eu sei, mas o Papai não foi trabalhar antes de ontem, já ontem ele foi.
– Pois é, mas hoje é sábado.
– Por que ele não foi trabalhar antes de ontem então.
– Porque quinta-feira foi feriado.
– Feriado? – Ele estava exausto de tanto pensar – Não, olha! Me acompanha! Sábado, Dia do churrasco, segunda-feira, sábado… Não, terça-feira… Ou sábado? Me perdi de novo… Esse feriado aí é novo.
– É, um dia que eles inventaram para não trabalhar nem estudar.
– E pode?
– Uhum. Mas por que o interesse?
– É… – Ele não queria revelar seus receios à gata – Nada não.
– Já sei porque você está assim tão curioso.
– Já disse que não é nada.
– Você está com… medo.
– Não estou.– Mas suas pernas trêmulas denunciavam o contrário.
– BANHO!

Ao ouvir a palavra maligna, Zíper saiu correndo e chorando para dentro de sua casinha deixando para trás a Lisa que gargalhava.

A gata até soluçava quando chegou à porta da casinha de Zíper, ainda ria um pouco quando perguntou.

– Porque tanto medo de banho, eu tomo banho todos os dias.
– Não vem, não. Seu conceito de banho é completamente outro. Acha que lamber o chibiu é banho, isso eu também faço. Quero ver você entrar numa tina d’água com sabão antipulgas.
– Eu sou limpa, não preciso dessas atrocidades.
– Limpa? Dê uma olhada aqui. – Dizia Zíper abrindo a boca – Vê meus dentes? – Era impossível para a Lisa não ver – Nenhuma cárie, hálito fresco, sorriso igual o do Rim Tim Tim. Agora você! Você tem o maior bafo de peixe do mundo.
– Não é peixe, é Atum.
– Pois diga para o Atum que ele fede igual peixe.
– Mas você não disse o porquê de ter medo de banho.
– É que eu não preciso de banho, não é medo.
– Então pára de tremer. O Poodle aqui da frente toma banho numa boa.
– Poodles. Quem te falou que poodle é cachorro? Eles são uns brinquedos a pilha, envergonham a classe canina.
– A pilha, mas não tem medo de BANHO.

E não teve jeito, Túlio veio decidido a dar um banho no Zíper e mais uma vez conseguiu, não que tivesse sido fácil, ele se molhou tanto quanto Zíper. E para a alegria de Lisa e para a tristeza de Zíper… Sábado que vem tem mais.

Aniversário dos Proféticos

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Aniversário dos Proféticos | webcomics, webcomic, tirinhas, tirinha, relacionamento, quadrinhos, Proféticos, namoro, mulher, humor, hq, homem, Especial, casal, AniversárioSim, esse mês é o do primeiro aniversário desse site. Eu queria estar dizendo aqui que muitos não acreditaram, que muitos apoiaram ou ainda que ninguém esperava um sucesso tão grande… Mas serei realista.

E a realidade nesse caso não é cruel =)

Quando decidi montar esse site estava entediado e com algum tempo livre, pouco tempo antes de resolver mesmo fiz o twitter e conversei com meu amigo o @Wbrown2 (que tem um blog “adulto” interessante), ele me disse que sentia falta do meu humor e dos meus textos nos www.profeticoseapocalipticos.blogger.com.br, fiquei lisonjeado e motivado a voltar a blogar.

Só que o que escrevia no meu primeiro blog era mais adolescente revoltado, queria mudar o mundo com críticas e me tornar um escritor famoso.

Vejam se não tinha já um dom pra fazer humor =D

Então via tirinhas muito interessantes, via um universo legal de webcomics, então tive vontade de fazer algo meu, algo que eu pudesse manter, algo que me fizesse continuar com meus pensamentos, sátiras à sociedade, toques mais ácidos e outros menos sensatos, mas a idéia era voltar a blogar, voltar com o diálogo com um público.

No começo fui inspirado por Carlos Ruas e o Sábado qualquer, não propriamente pela qualidade das tirinhas, sim elas são ótimas, mas eu gostei exatamente da adaptação de quadrinhos para a internet. O trabalho dele é incrível, tem uma base muito interessante em religião que me fez lembrar de Calvin and Hobbes só que com traços mais simples. Enfim, muitos elogios ao Carlos Ruas e ao advento internet que torna tudo isso possível.

Outro que me inspirou muito foi o Fábio Ciccone com suas Magias e Barbaridades, um site repleto de referências Nerds. Aqui vemos quadrinhos de verdade, com uma temática que qualquer nerd se familiariza. O Fábio me mostrou outro lado, que é possível usar o advento internet para fazer quadrinhos mesmo, sem adaptações nem nada, apenas o acesso online.

E a grande dificuldade ao me posicionar nesse meio foi de encontrar um equilíbrio entre o escritor que eu tentara ser e o desenhista que eu não era. Fazendo tirinhas sem ser cartunista e tendo um blog sem ser blogueiro.

Se formos ver essa ainda continua sendo minha maior dificuldade.

Só que desisti de entender, de me posicionar, de planejar. A realidade é que hoje eu consigo postar diariamente, faço tirinhas, tenho um público e um diálogo muito bom com ele. É verdade que não tenho a alcunha de artista de um Fábio Ciccone ou a fama de um Carlos Ruas. Mas tenho amigos que só fiz por causa do site, das tirinhas, do twitter e de tudo que me move e me motiva a mover o site dos Proféticos.

Meus bonecos de pauzinho são simples, o Zíper é simples, a Zinza é uma chata simples, mas isso pode dizer que é possível para qualquer um. Isso mesmo, qualquer um pode fazer tirinhas, blogar e tudo mais. Nem todo boneco de pauzinho é idiota e infantil, nem todo quadrinho de qualidade é adaptado ao cinema, nem todo cartunista bom publica em um jornal e nem todo o dinheiro e fama no mundo vale a receptividade que tenho de vocês.

Sei que me estendi, mas o final será compensatório =)
Um desenho do Rodrigo Chaves, do brilhante Contratempos Modernos.blogspot.com, incorporou o Tico Tequila no seu traço. Eu não tenho palavras para agradecer, cara. Você é um ídolo, um exemplo, genial e meu amigo. Obrigado mesmo!

Só digo mais uma coisa: Será o mês inteiro assim, desenhos de amigos que fiz durante um ano de Proféticos.

Obrigado o/