Marçal rindo sozinho

Marçal Sorrindo Sozinho

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Marçal Morando Sozinho é uma série meta-auto-biográfica do Autor Rafael Marçal onde são explorados temas domésticos, cotidianos e de relacionamentos. Para acompanhar mais tiras da série, clique aqui.

Zíper e que medo é esse 2

Zíper e que medo é esse 2

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Zíper é um cãozinho simpático, mas odeia gatos. Lisa é uma gata simp… uma gata. Temos aí ingredientes para uma relação animal e literalmente entre cão e gata. Confira mais tiras da série aqui.

Quem será que é a “mamãe” do Zíper?

Zíper & Lisa e para que servem os gatos

Zíper e Lisa e para que servem os gatos

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Zíper é um cãozinho simpático, mas odeia gatos. Lisa é uma gata simp… uma gata. Temos aí ingredientes para uma relação animal e literalmente entre cão e gata. Confira mais tiras da série aqui.

Zíper e O pior dia da semana

Um texto de 14 de abril de 2006…

O relógio dizia que já era noite, mas o sol teimava em ir embora. Quando Zíper ouviu aqueles passos não conseguia acreditar.

– Opa – Disse ele erguendo as orelhas – Será que estou ouvindo bem? Não é possível, ainda está claro. Se bem que o caminhão que come nosso lixo também já passou.

E os passos agora pareciam mais próximos.

– É ele mesmo! E está trazendo… SACOLAS. – E saiu correndo para o portão com a língua de fora. – PAPAI!

Túlio já tinha se acostumado com o alvoroço que Zíper fazia todos os dias, desde filhote foi assim, alegre e bagunceiro.

– E aí Papai, o que tem nessas sacolas? – “Dizia” Zíper enquanto enfiava o focinho nelas. – O cheiro é bom.
– Sai daí, Zíper. – Túlio tentava erguer as sacolas. – Isso não é para você.

Mas Zíper era mais teimoso que uma mula empacada, curioso como um gato. E a alegria de rever o dono era tanta que ele não parava de pular.

– Ei! Eu sei o que é isso. Vermelhinha, cheirosa, suculenta, separada em gomos… é linguiça! Eu tenho certeza que foi um cachorro que inventou essa maravilha gastronômica! – Disse Zíper com o rabo abanando – Me arruma uma aí, vai. Só uma.
– Zíper! Sai, você está me sujando todo.
– Ah, deixa eu contar. A Mamãe me deu uma vassourada hoje, só porque eu entrei na cozinha.
– Vai deitar, vai. Depois a gente brinca.
– Diz para a Mamãe que eu sou legal, ela não gosta de mim, só da Lisa.
– Eu vou te dar umas chineladas, cachorro teimoso.
– Tudo bem, parei, mas… E essa linguiça aí? Tem jeito? Ração todo dia enjoa.

Mas Túlio entrou e fechou a porta. Zíper murchou as orelhas e ainda conseguiu ouvir a Mamãe dizendo algo como “Cachorro fedido, imundo” e o Papai respondendo “Amanhã, se fizer sol, eu dou um banho nele”.

Zíper reergueu as orelhas e arregalou os olhos, involuntariamente tremia cada pelo.

As suas pulgas gritavam: TERREMOTO.

Ele sabia muito bem o que significava aquela palavra, banho é sinônimo de tortura, banho é sinônimo de sofrimento, dor e frio.
Fora o cheiro de sabonete que só sai depois de umas três roladas na terra.

Mas alguma coisa não fazia sentido. Zíper só tomava banho aos sábados, o Papai não tinha ido trabalhar ontem, e hoje sim, então amanhã é terça-feira. Ou será que ele está de férias, igual o Bebê? Ou será que eu errei a minha conta e amanhã é sábado?

– Será que eu dormi demais no domingo e só acordei na sexta-feira?
– Sábado… Dia de Churrasco… Segunda… Terça… Ou seria Sábado de novo… Ai, me perdi.

Aquela noite foi longa demais para Zíper.

Assim que o dia nasceu Zíper viu Lisa sair pela cozinha. Venceu seu orgulho e foi falar com a gata da casa.

– Ouf. – Chamou enquanto latia.
– Que éééé? – Respondeu a gata toda ofendida.
– O Papai está se arrumando para ir trabalhar?
– Nhãão. – Disse ela enquanto miava e bocejava.
– Mas hoje não é terça-feira?
– Não, hoje é sábado, eu já te ensinei isso.
– Eu sei, mas o Papai não foi trabalhar antes de ontem, já ontem ele foi.
– Pois é, mas hoje é sábado.
– Por que ele não foi trabalhar antes de ontem então.
– Porque quinta-feira foi feriado.
– Feriado? – Ele estava exausto de tanto pensar – Não, olha! Me acompanha! Sábado, Dia do churrasco, segunda-feira, sábado… Não, terça-feira… Ou sábado? Me perdi de novo… Esse feriado aí é novo.
– É, um dia que eles inventaram para não trabalhar nem estudar.
– E pode?
– Uhum. Mas por que o interesse?
– É… – Ele não queria revelar seus receios à gata – Nada não.
– Já sei porque você está assim tão curioso.
– Já disse que não é nada.
– Você está com… medo.
– Não estou.– Mas suas pernas trêmulas denunciavam o contrário.
– BANHO!

Ao ouvir a palavra maligna, Zíper saiu correndo e chorando para dentro de sua casinha deixando para trás a Lisa que gargalhava.

A gata até soluçava quando chegou à porta da casinha de Zíper, ainda ria um pouco quando perguntou.

– Porque tanto medo de banho, eu tomo banho todos os dias.
– Não vem, não. Seu conceito de banho é completamente outro. Acha que lamber o chibiu é banho, isso eu também faço. Quero ver você entrar numa tina d’água com sabão antipulgas.
– Eu sou limpa, não preciso dessas atrocidades.
– Limpa? Dê uma olhada aqui. – Dizia Zíper abrindo a boca – Vê meus dentes? – Era impossível para a Lisa não ver – Nenhuma cárie, hálito fresco, sorriso igual o do Rim Tim Tim. Agora você! Você tem o maior bafo de peixe do mundo.
– Não é peixe, é Atum.
– Pois diga para o Atum que ele fede igual peixe.
– Mas você não disse o porquê de ter medo de banho.
– É que eu não preciso de banho, não é medo.
– Então pára de tremer. O Poodle aqui da frente toma banho numa boa.
– Poodles. Quem te falou que poodle é cachorro? Eles são uns brinquedos a pilha, envergonham a classe canina.
– A pilha, mas não tem medo de BANHO.

E não teve jeito, Túlio veio decidido a dar um banho no Zíper e mais uma vez conseguiu, não que tivesse sido fácil, ele se molhou tanto quanto Zíper. E para a alegria de Lisa e para a tristeza de Zíper… Sábado que vem tem mais.