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Zíper e O pior dia da semana

Um texto de 14 de abril de 2006... O relógio dizia que já era noite, mas o sol teimava em ir embora. Quando Zíper ouviu aqueles passos não conseguia acreditar. – Opa – Disse ele erguendo as orelhas – Será que estou ouvindo bem? Não é possível, ainda está claro. Se bem que o caminhão que come nosso lixo também já passou. E os passos agora pareciam mais próximos. – É ele mesmo! E está trazendo... SACOLAS. – E saiu correndo para o portão com a língua de fora. – PAPAI! Túlio já tinha se acostumado com o alvoroço que Zíper fazia todos os dias, desde filhote foi assim, alegre e bagunceiro. – E aí Papai, o que tem nessas sacolas? – "Dizia" Zíper enquanto enfiava o focinho nelas. – O cheiro é bom. – Sai daí, Zíper. – Túlio tentava erguer as sacolas. – Isso não é para você. Mas Zíper era mais teimoso que uma mula empacada, curioso como um gato. E a alegria de rever o dono era tanta que ele não parava de pular. – Ei! Eu sei o que é isso. Vermelhinha, cheirosa, suculenta, separada em gomos... é linguiça! Eu tenho certeza que foi um cachorro que inventou essa maravilha gastronômica! – Disse Zíper com o rabo abanando – Me arruma uma aí, vai. Só uma. – Zíper! Sai, você está me sujando todo. – Ah, deixa eu contar. A Mamãe me deu uma vassourada hoje, só porque eu entrei na cozinha. – Vai deitar, vai. Depois a gente brinca. – Diz para a Mamãe que eu sou legal, ela não gosta de mim, só da Lisa. – Eu vou te dar umas chineladas, cachorro teimoso. – Tudo bem, parei, mas... E essa linguiça aí? Tem jeito? Ração todo dia enjoa. Mas Túlio entrou e fechou a porta. Zíper murchou as orelhas e ainda conseguiu ouvir a Mamãe dizendo algo como "Cachorro fedido, imundo" e o Papai respondendo "Amanhã, se fizer sol, eu dou um banho nele". Zíper reergueu as orelhas e arregalou os olhos, involuntariamente tremia cada pelo. As suas pulgas gritavam: TERREMOTO. Ele sabia muito bem o que significava aquela palavra, banho é sinônimo de tortura, banho é sinônimo de sofrimento, dor e frio. Fora o cheiro de sabonete que só sai depois de umas três roladas na terra. Mas alguma coisa não fazia sentido. Zíper só tomava banho aos sábados, o Papai não tinha ido trabalhar ontem, e hoje sim, então amanhã é terça-feira. Ou será que ele está de férias, igual o Bebê? Ou será que eu errei a minha conta e amanhã é sábado? – Será que eu dormi demais no domingo e só acordei na sexta-feira? – Sábado... Dia de Churrasco... Segunda... Terça... Ou seria Sábado de novo... Ai, me perdi. Aquela noite foi longa demais para Zíper. ... Assim que o dia nasceu Zíper viu Lisa sair pela cozinha. Venceu seu orgulho e foi falar com a gata da casa. – Ouf. – Chamou enquanto latia. – Que éééé? – Respondeu a gata toda ofendida. – O Papai está se arrumando para ir trabalhar? – Nhãão. – Disse ela enquanto miava e bocejava. – Mas hoje não é terça-feira? – Não, hoje é sábado, eu já te ensinei isso. – Eu sei, mas o Papai não foi trabalhar antes de ontem, já ontem ele foi. – Pois é, mas hoje é sábado. – Por que ele não foi trabalhar antes de ontem então. – Porque quinta-feira foi feriado. – Feriado? – Ele estava exausto de tanto pensar – Não, olha! Me acompanha! Sábado, Dia do churrasco, segunda-feira, sábado... Não, terça-feira... Ou sábado? Me perdi de novo... Esse feriado aí é novo. – É, um dia que eles inventaram para não trabalhar nem estudar. – E pode? – Uhum. Mas por que o interesse? – É... – Ele não queria revelar seus receios à gata – Nada não. – Já sei porque você está assim tão curioso. – Já disse que não é nada. – Você está com... medo. – Não estou.– Mas suas pernas trêmulas denunciavam o contrário. – BANHO! Ao ouvir a palavra maligna, Zíper saiu correndo e chorando para dentro de sua casinha deixando para trás a Lisa que gargalhava. A gata até soluçava quando chegou à porta da casinha de Zíper, ainda ria um pouco quando perguntou. – Porque tanto medo de banho, eu tomo banho todos os dias. – Não vem, não. Seu conceito de banho é completamente outro. Acha que lamber o chibiu é banho, isso eu também faço. Quero ver você entrar numa tina d'água com sabão antipulgas. – Eu sou limpa, não preciso dessas atrocidades. – Limpa? Dê uma olhada aqui. – Dizia Zíper abrindo a boca – Vê meus dentes? - Era impossível para a Lisa não ver - Nenhuma cárie, hálito fresco, sorriso igual o do Rim Tim Tim. Agora você! Você tem o maior bafo de peixe do mundo. – Não é peixe, é Atum. – Pois diga para o Atum que ele fede igual peixe. – Mas você não disse o porquê de ter medo de banho. – É que eu não preciso de banho, não é medo. – Então pára de tremer. O Poodle aqui da frente toma banho numa boa. – Poodles. Quem te falou que poodle é cachorro? Eles são uns brinquedos a pilha, envergonham a classe canina. – A pilha, mas não tem medo de BANHO. ... E não teve jeito, Túlio veio decidido a dar um banho no Zíper e mais uma vez conseguiu, não que tivesse sido fácil, ele se molhou tanto quanto Zíper. E para a alegria de Lisa e para a tristeza de Zíper... Sábado que vem tem mais.
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